Vou-me embora de Pasárgada*
*Fabrício
Carvalho Amorim Leite
Vou-me embora de Pasárgada,
Sem emprego, sem valor,
Sem valia, deixei Pasárgada.
Vou-me embora de Pasárgada,
Lá não fui feliz,
Lá a vida era carente meretriz,
De um modo inconsequente,
Maria, lusitana-insana, foi a confidente.
Montei nas feras de aço,
No estaleiro foi percalço,
Tentei trabalhar no sinal,
Malabares, um ato final.
E na dúvida de cada dia,
Invoquei forças ocultas (o além),
Números da sorte, alguma alegria.
Mas em Pasárgada, só desdém.
Oh Pasárgada, Pasárgada,
Lá, outra civilização,
Lá, sem um tostão,
A vida era desilusão.
Vou-me embora de Pasárgada,
Busco rumo, outra estrada,
Onde papel-moeda é o amor
E, assim, tranquilo e amante.
* Agradeço
a Manuel Bandeira pelo poema Vou-me embora pra Pasárgada (1930).
* cronista e contista.

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