segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Vou-me embora de Pasárgada*


 

Vou-me embora de Pasárgada*

 *Fabrício Carvalho Amorim Leite

 

Vou-me embora de Pasárgada,

Sem emprego, sem valor,

Sem valia, deixei Pasárgada.

Vou-me embora de Pasárgada,

 

Lá não fui feliz,

Lá a vida era carente meretriz,

De um modo inconsequente,

Maria, lusitana-insana, foi a confidente.

 

Montei nas feras de aço,

No estaleiro foi percalço,

Tentei trabalhar no sinal,

Malabares, um ato final.

 

E na dúvida de cada dia,

Invoquei forças ocultas (o além),

Números da sorte, alguma alegria.

Mas em Pasárgada, só desdém.

 

Oh Pasárgada, Pasárgada,

Lá, outra civilização,

Lá, sem um tostão,

A vida era desilusão.

 

Vou-me embora de Pasárgada,

Busco rumo, outra estrada,

Onde papel-moeda é o amor

E, assim, tranquilo e amante.

 

* Agradeço a Manuel Bandeira pelo poema Vou-me embora pra Pasárgada (1930).

 * cronista e contista.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário